A gastronomia alentejana é famosa e pujante. Faz o milagre de, a partir de ingredientes aparentemente pobres, conseguir criar pratos requintados e saborosos. Agora, tem uma nova maneira de a apreciar: o serviço Intercidades entre Lisboa e Évora, com várias ligações diárias, rápidas e confortáveis, que o põem à mesa do seu restaurante favorito tão ou mais depressa do que se fosse pela auto-estrada, com a vantagem de que não tem que se preocupar com portagens, limites de velocidade, níveis de alcoolemia ou lugar para estacionar o carro. E, além de redescobrir uma gastronomia que é também uma marca de história e de cultura portuguesas, ainda está a contribuir para um ambiente mais limpo e um mundo menos poluído. Há uns anos havia grupos de amigos que aproveitavam os comboios rápidos da CP para sair de Lisboa e ir almoçar ao Aleixo de Campanhã ou aos leitões da Mealhada. Esta tradição de passeios gastronómicos ferroviários nunca se perdeu completamente e agora, com a renovação da Linha do Alentejo até Évora, permite uma nova possibilidade: sair da Gare do Oriente e hora e meia depois estar sentado à mesa de um dos muitos bons restaurantes de Évora. É caso para dizer que a tradição já não é o que era: de facto, com os novos comboios para a capital alentejana é ainda melhor. Chegado à estação, pode apanhar um táxi para o centro ou fazer uma salutar caminhada através do Rossio de São Brás, na direcção da Praça do Giraldo, verdadeira sala de visitas da capital alentejana. Muitos dos restaurantes mais recomendáveis da cidade situam-se na zona do centro histórico. Quem se sente capaz de ir de Lisboa ao Porto para ir comer ao Aleixo, terá como escolha mais óbvia o famoso Fialho. É só seguir da Praça do Giraldo na direcção do templo romano (impropriamente chamado de Diana, durante muitos anos) e este outro templo, mas da gastronomia eborense, está logo ali. (Fialho, Travessa Mascarenhas, 14, tel. 266 703 079, www.restaurantefialho.com). Aberto a outras tendências gastronómicas ainda que não menos fiel à tradição regional é a Tasquinha do Oliveira. Aqui imperam os petiscos e os pratinhos de diferentes sabores, pelo menos uns 20, ao ponto de, depois de tanta prova, já não haver capacidade para enfrentar os pratos principais. Atenção especial às pataniscas de bacalhau ou ao cozido com grão. (Tasquinha d’Oliveira, Rua Cândido dos Reis, 45 A, tel. 266 752 906). O nome terá o seu quê de extraordinário mas aqui, gastronomicamente falando, as surpresas que vai encontrar são todas agradáveis. O Moinho do Cu Torto convida-o a provar belas sopas feitas em panela de barro e enchidos tradicionais de se lhe tirar o chapéu. (Rua de Santo André 2, Bairro de Nossa Senhora do Carmo, tel. 266 771 060) Poderíamos continuar a enumerar restaurantes até à exaustão porque em Évora o que é verdadeiramente difícil é comer mal... Escusado será dizer que o Alentejo, sendo hoje em dia um dos grandes produtores portugueses de vinho (muito em especial de tintos) há, também garantias de que a refeição será bem regada. De Estremoz a Portalegre, de Reguengos a Pias é só escolher. |