A Linha da Beira Baixa

Inaugurada a 6 de setembro de 1891

Inaugurada a 6 de setembro de 1891 pelo rei D. Carlos e pela Rainha D. Amélia, a Linha da Beira Baixa é uma ligação ferroviária em via única eletrificada com 240 quilómetros de extensão, que une as cidades do Entroncamento e da Guarda, passando por Abrantes, Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, Fundão e Covilhã.

Os trabalhos com vista à construção desta via-férrea, iniciaram no mês de dezembro de 1885 e foram avançando de forma faseada e por seções diferentes: a primeira correspondia ao troço Abrantes-Rodão, a segunda entre Rodão e a Covilhã, e a terceira entre a Covilhã e a Guarda. Na sua extensão original, desde Abrantes até à Guarda, a linha contava com cerca de 212 quilómetros.

Em janeiro de 1876, o governo português lançou o concurso para a construção de um conjunto de ligações ferroviárias, entre elas a Linha da Beira Baixa. Sete anos mais tarde, viria a ser concessionada à Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses. De difícil construção, dadas as características do terreno e orografia, a Linha da Beira Baixa exigiu a construção de várias obras de arte, das quais se destacam a ponte do Corge e o túnel da Gardunha, bem como o recurso a muita mão-de-obra, que se estima ter atingido os 15.000 trabalhadores no pico de maior atividade.

Seis anos mais tarde, no Verão de 1891, os troços Abrantes-Rodão e Rodão-Covilhã estavam concluídos e prontos a inaugurar. Em setembro desse ano, a linha é aberta à exploração comercial. O troço entre a Covilhã e a Guarda, apesar da fase de obra já se encontrar adiantada, só viria a ser inaugurado dois anos mais tarde. Para este atraso contribuiu a crise financeira que afetou Portugal nos anos de 1891 e 1892, realidade que levou à diminuição do ritmo de construção e consequente paralisação dos trabalhos em 1892.   

A 11 de maio de 1893 era, finalmente, inaugurada a ligação até à Guarda e enlace com a Linha da Beira Alta e a fronteira de Vilar Formoso.
A chegada do comboio, e com ele o tão esperado progresso, materializava os anseios de toda uma região que passava a ser servida por um meio de transporte moderno e integrado no movimento industrial da época, permitindo o acesso em tempo útil a novos mercados. Esta via férrea tinha particular importância, dado ter permitido fechar o círculo entre as ligações ferroviárias do Norte e do Centro do país.

Ao longo da sua história secular até aos dias de hoje, a Linha da Beira Baixa e os seus serviços ferroviários foram alvo de modernizações e alterações de modo a acompanhar a evolução do setor ferroviário nacional e responder à exigência dos tempos

Destaca-se a introdução do serviço Intercidades, eletrificação da linha, instalação de sistemas ativos de segurança, sinalização eletrónica e o regresso do comboio em abril de 2021, ao troço entre a Covilhã e a Guarda, após 12 anos de interregno. Há também a construção da concordância das Beiras, que permite ligar diretamente a linha da Beira Baixa à fronteira de Vilar Formoso na Linha da Beira Alta.

A importância da Linha da Beira Baixa surge ainda mais reforçada no século XXI. Faz parte do Corredor Atlântico e integra um dos projetos prioritários da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) da União Europeia.

Ao longo do seu trajeto, a linha atravessa um território de beleza ímpar e com uma paisagem variada. Desde a companhia do rio Tejo até Vila Velha de Ródão, passando pelos sopés das serras da Gardunha e Estrela, à medida que entra na Cova da Beira. O trajeto termina com a subida à mais alta cidade de Portugal Continental – a Guarda. Esta é frequentemente reconhecida como uma das linhas mais bonitas de Portugal.