Locomotivas a vapor da série 070 a 097
Construídas pela SLM e pela Henschel & Sohn
As locomotivas a vapor da série CP 070 a 097 entraram ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses entre 1916 e 1929. A aquisição destas locomotivas a vapor, de via larga, fez parte da estratégia da CP de modernização do parque de material circulante. A encomenda, feita no decurso da I Guerra Mundial, apresentou limitações à Companhia, dado que a indústria ferroviária europeia estava muito condicionada devido ao conflito armado.
Deste modo, a alternativa foi recorrer ao fabricante suíço SLM - Schweizerische Lokomotiv- und Maschinenfabrik com sede em Winterthur, no cantão de Zurique, que ficou encarregue de fornecer um total de 15 máquinas a vapor (CP 071 a 085). A frota foi entregue em duas fases distintas: as primeiras cinco unidades foram entregues em 1916; as restantes 10 locomotivas chegaram a Portugal quatro anos mais tarde, em 1920.
No entanto, a frota só ficou completa em 1929, com a entrega das restantes 12 unidades. Construídas pelo fabricante alemão Henschel & Sohn, as locomotivas CP 086 a 097 foram entregues a Portugal, por parte da Alemanha, como reparações da I Guerra Mundial. Desde 1929 que as Oficinas Gerais da Companhia pretendiam construir, com recurso a meios próprios, unidades semelhantes à desta série.
O projeto foi concretizado, em 1944, pelas Oficinas Gerais de Santa Apolónia, através da construção da locomotiva a vapor 070. Foi testada em linha, entre Lisboa e Póvoa de Santa Iria, e a sua apresentação oficial deu-se em fevereiro de 1945. Apesar de estarem reunidas as condições para serem produzidas mais unidades, o projeto acabou por não ter continuidade.
A carreira desta série de máquinas a vapor estendeu-se até finais dos anos 70. Circularam praticamente em toda a rede ferroviária nacional e asseguraram a tração de vários comboios de passageiros e mercadorias, bem como de serviços internacionais. Inicialmente, a frota ficou afeta ao depósito de Campolide e começou, sobretudo, a prestar serviço na Linha de Sintra. Contudo, assegurou também a tração de alguns comboios nas linhas do Norte e Oeste. A sua presença também se fez notar na Linha de Cascais: no pós-eletrificação desta via férrea e devido às perturbações sentidas nos serviços do cabo submarino da Eastern Telegraph Company, em Carcavelos, a Sociedade Estoril alugou à CP algumas locomotivas desta série, com o intuito de minimizar os transtornos causados à operação ferroviária. Entre 1930 e 1940, uma das unidades desta série, assegurava a tração do comboio internacional Sud Express até ao Estoril.
O início da eletrificação da restante rede ferroviária nacional, nomeadamente a inauguração, em 1957, da eletrificação das linhas de Sintra e do Norte até ao Carregado, contribuiu para que estas locomotivas a vapor transitassem para os depósitos do Barreiro, Coimbra e Porto-Campanhã. Esta alteração permitiu diversificar a sua área geográfica, uma vez que passaram a circular nos ramais da Lousã, Montijo, Seixal e Alfarelos, bem como nas linhas do Algarve, Sul, Alentejo, Minho e Douro. A sua presença nas linhas do Norte e Oeste manteve-se. Saíram definitivamente de serviço em 1977, ano em que foi extinta a tração a vapor na via larga em Portugal.
Preservada pela CP para fins históricos, a locomotiva a vapor CP 070 integra a exposição permanente do Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento.